Um ano após morte de Marielle, assessora que escapou fala sobre crime

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jornalista Fernanda Chaves estava ao lado de Marielle Franco no momento em que ela foi atingida por uma rajada de tiros e morreu, há um ano, no Rio de Janeiro. Ela era assessora da vereadora e sobreviveu ao atentado, que também matou o motorista Anderson Gomes.

Em entrevista ao jornal português Diário de Notícias, Fernanda falou sobre o assassinato e sobre o desenrolar das investigações.

Ela, que chegou a viver fora do país, sob proteção da Anistia Internacional por se encontrar em situação de risco, está de volta ao Brasil, embora prefira não falar sobre seu destino.

Em relação à apuração do crime, prefere a prudência. “Não devo dar respostas, tenho é o direito de recebê-las.”

Em todo caso, disse estar assustada por a polícia suspeitar de uma milícia, o Escritório do Crime, cujos chefes têm forte ligação ao clã Bolsonaro. “Não dá para negar, pelo perfil do crime, pela arma utilizada, que há envolvimento de milícias. E não é novidade que a família do presidente Jair Bolsonaro tem ligação com as milícias – ele já as exaltou e o filho dele homenageou polícias envolvidos em milícias”, comentou.

“As ligações de Bolsonaro e do filho, através de muitos membros dos seus gabinetes, a milícias e, mais precisamente, ao grupo miliciano acusado de executar a Marielle, são aterrorizantes. E têm de ser investigadas e cobradas. Mas a minha avaliação sobre o assunto acaba aí. Quem tem de falar são as autoridades”, completa.

Quando questionada sobre as suspeitas envolvendo Marcelo Siciliano, deputado estadual pelo PHS, e a disputa por território como possível motivação para o crime, a assessora duvida.

“Acho uma loucura. Diz-se que seria por uma disputa de território mas a Marielle não fazia disputa territorial, não era esse o tipo de atuação dela. Por isso, parece-me um engano. Ou uma enorme cortina de fumaça”.

Para ela, “Marielle foi morta por causa do seu pensamento: foi um crime político”. “E a extrema-direita tem que ver com esse crime bárbaro. E as milícias estão ao serviço da extrema-direita. Basta ver quem são os políticos que as homenageiam e quem são os políticos que elas ajudam a eleger. É assustador. E o Brasil tem de dar uma resposta para o mundo”, cobra.

Fernanda Chaves também destaca que, “enquanto não descobrirem os autores e os mandantes, sobretudo os mandantes, do crime”, ela não poderá voltar ao Rio. Mas completa explicando que não é testemunha ocular e, por isso, não tem por que se esconder.

“Não tenho muito mais a contribuir com informações porque não vi nada, nem percebi nada a não ser a rajada de tiros, logo, não sou propriamente uma testemunha ameaçada. Mas, quando a gente não sabe quem disparou e quem mandou disparar, a gente não sabe como e de quem se proteger, não é? Eu trabalhei toda uma vida no Parlamento do Rio e veio à tona que parlamentares podem estar envolvidos, por isso como é que eu posso voltar a um lugar onde está gente que pode ser responsável do atentado a um carro onde eu estava?”, disse ela.

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